"Minha campanha está com ROAS 3, é bom?" — depende. Para uma loja de eletrônicos com 5% de margem, ROAS 3 é prejuízo. Para um infoproduto com 80% de margem, é festa. Sem o break-even ROAS calculado, você não está gerindo campanha — está apostando.
A fórmula em uma linha
Break-even ROAS = 1 ÷ Margem de contribuição
Margem de contribuição é o quanto sobra de cada R$ 1 de venda depois de subtrair custos diretos variáveis. Se sobra R$ 0,30, sua margem é 30% e seu break-even ROAS é 3,33. Abaixo disso, está pagando para vender.
O que entra no cálculo da margem
O erro mais comum é olhar só CMV. A margem real considera:
- CMV (Custo da Mercadoria Vendida): o que você paga pelo produto
- Taxa de meio de pagamento: ~3,99% cartão, ~1% PIX, ~2% boleto
- Frete subsidiado: se você cobra R$ 15 mas paga R$ 22, são R$ 7 de custo por venda
- Impostos sobre faturamento: Simples (~6-15%) ou regime presumido
- Embalagem, etiqueta, picking: R$ 2-5 por pedido típico
- Chargebacks/devoluções: ~2% das vendas em e-commerce médio
Exemplo real: e-commerce de cosméticos
Ticket médio: R$ 100. Vamos decompor:
- Preço de venda: R$ 100,00
- (–) CMV (custo do produto): R$ 35,00
- (–) Taxa Stripe (3,99% + R$ 0,39): R$ 4,38
- (–) Frete subsidiado (cobramos R$ 12, custa R$ 18): R$ 6,00
- (–) Simples Nacional (8%): R$ 8,00
- (–) Embalagem + picking: R$ 3,50
- (–) Provisão chargeback/devolução (2%): R$ 2,00
Total de custo variável: R$ 58,88
Margem de contribuição absoluta: R$ 41,12 (41,12%)
Break-even ROAS = 1 ÷ 0,4112 = 2,43
Ou seja, abaixo de ROAS 2,43, essa loja perde dinheiro. ROAS 3 dá R$ 5,70 de lucro por venda — pouco, mas existe. ROAS 4 dá R$ 16,90. Daí em diante, escala.
A armadilha dos custos fixos
Break-even ROAS cobre custos variáveis. Para pagar custos fixos (salário, aluguel, ERP, sua hora), você precisa de margem acima do break-even. Calcule o ROAS-meta:
ROAS-meta = Break-even ROAS × (1 + % de custos fixos sobre faturamento)
Se seus custos fixos representam 15% do faturamento, o ROAS-meta da loja acima seria 2,43 × 1,15 ≈ 2,80. Abaixo disso, mesmo tendo "lucro contábil em cada venda", a operação fecha no vermelho.
Aplicando no Meta/Google Ads
Com o ROAS-meta na mão, suas regras de campanha viram triviais:
- Conjunto/Campanha abaixo do ROAS-meta por 3 dias seguidos: pausa ou reduz orçamento
- Acima do ROAS-meta com volume: escala 20% por dia (Meta não gosta de salto acima disso)
- No limite (perto do break-even): diagnóstico em cascata — frequência alta? Criativo cansado? CTR caindo?
Sem ROAS-meta, decisão de pausar campanha vira opinião. Com ROAS-meta, vira regra.
Onde isso falha
- LTV alto: se cliente recompra muito, ROAS de aquisição pode ser baixo na primeira venda (você ganha no longo prazo). Use ROAS por coorte.
- Atribuição: Meta atribui demais; Google idem. Use UTM + GA4 e compare. A verdade está entre os dois.
- Sazonalidade: Black Friday quebra qualquer modelo. Tenha plano separado para datas comerciais.
Fazendo isso automaticamente
Na Publicidade Digital, o break-even ROAS é calculado por cliente automaticamente a partir do que você informa no onboarding (CMV, impostos, frete, etc.). Cada campanha é avaliada a cada hora; se ficar abaixo do break-even por mais de 72h, o sistema avisa e sugere a ação — você aprova via HITL. Sem chutômetro.